5 dias de jejum (1)

O QUE APRENDI COM 5 DIAS DE JEJUM?

O jejum despertou sensações físicas, mentais e espirituais que abriram os olhos para mim mesmo.

Ps: Esse post é apenas o relato de uma experiência própria e particular. Toda a prática não possui embasamento científico e nem é recomendado sem o devido acompanhamento médico e nutricional.

Primeiramente, não fiz jejum para emagrecer, muito menos como parte de algum desafio. Meu jejum foi muito além de questões simples e corriqueiras. Foi uma experiência própria, profunda e regada de descobertas.

Fiz 5 dias de jejum, pois queria experimentar a intensidade de descobrir a mim mesmo através da austeridade, daquilo que mais me fazia mal e que eu tinha profunda dificuldade: minha alimentação.

Nos últimos 10 anos eu acumulei muitos quilos a mais (cerca de 18kg), através de uma alimentação desregrada ou falta de consciência alimentar. Tentei diversas vezes seguir as orientações profissionais de nutricionistas e nutrólogos, que acabaram se tornando amigos e parceiros. Porém, nunca obtive o resultado que eu queria. Nunca me dedicava integralmente à tal “disciplina”alimentar.

Agora, pense comigo: sou psicólogo, sempre pratiquei esportes e sempre busquei contribuir para que as pessoas buscassem o bem-estar e a libertação da ansiedade e do estresse. Como eu poderia me sentir pleno nas minhas indicações profissionais, se eu não conseguia fazer isso comigo mesmo?

Amigos que acompanharam meu processo.

 

Mas tinha algo mais profundo… minha “cultura alimentar” e familiar nunca foi de recusar comida. Muito pelo contrário… minha descendência italiana e alemã sempre trouxe a mitologia familiar de que precisamos ter abundância de comida, para o caso de um dia faltar. Coisas de família que fugiu da guerra na Europa e que tinha medo da escassez.

Minha vida foi sempre assim… medo da escassez de comida. Detestava compartilhar comida com os outros, mesmo quando a porção do prato era generosa. E isso, dentre tantas outras coisas, foi proporcionando essa alimentação sem razoabilidade, desenfreada. Ao mesmo tempo, eu queria me impor a “determinação dos campeões”, que vencem pela persistência e são exemplos para muitas pessoas (principalmente em tempos de instagram).

A comida era minha maior dificuldade! A minha relação com a comida era um problema grave!

Nesse ano, no entanto, em que tenho me dedicado profundamente à meditação, yoga e autoconhecimento, percebi que precisava fazer alguns experimentos mais intensos e que me levassem à raiz das minhas dificuldades.

Foi então que, no mês de maio, resolvi fazer 5 dias de jejum alimentar.

O JEJUM

O jejum não surgiu do nada. Durante meus momentos dedicados à meditação, percebi que eu tinha uma relação doentia com a comida, mas não entendia o porquê. E foi assim que eu comecei a investigar a possibilidade de um jejum mais extenso.

Já havia feito os famosos “jejuns intermitentes”, em que você fica de 12 à 24 horas sem alimentação sólida. Mas eu estava me propondo a ficar 120hrs, 5 dias, sem me alimentar completamente. Eu estaria liberado apenas para água e chás que não ativassem a digestão. Nos últimos dois dias eu poderia tomar água de coco (para voltar a mineralizar e ativar a digestão) e no último dia, poderia beber meio copo de leite de soja.

PRIMEIRA REFEIÇÃO, DEPOIS DE 5 DIAS.

O momento foi perfeito. Durante os 5 dias eu estive em um retiro de meditação e espiritualidade. Estaria na presença do meu guru espiritual e tudo fluiria de forma mais serena e harmônica. Não havia momento melhor para acontecer.

Mas eu precisava me acostumar com a ideia. Durante 15 dias eu experimentei diversos momentos de jejum no meu cotidiano. Períodos que variaram de 12 à 48 hrs de jejum. E não se engane, pensando que eu fiquei trancado em casa ou no consultório. Eu saí com amigos para eles almoçarem ou jantarem, enquanto eu fazia companhia com água de coco. Hahahaha

Não fugi da vida.

Após atingir as 48 hrs de jejum, fui para Serra Negra (interior de SP), para o meu retiro. Estaria em um casarão alugado, com mais 15 pessoas, que estariam se alimentando normalmente, compartilhando o mesmo espaço. Isso não me incomodou em momento algum. Durante os 5 dias, vivenciei até um churrasco de confraternização na casa… e eu sem me alimentar.

Mas… O QUE APRENDI?

Foram muitas coisas… poderia dar um curso sobre o que aprendi. Mas, quero compartilhar algumas coisas que experimentei.

Primeiro, você não morre por não comer. Hahahaha

Muitas pessoas sentem fraqueza, mal estar, e etc., mas seu corpo possui reservas suficientes para lidar com a ausência de alimento.

Descobri que a comida era meu refúgio emocional.

Eu sempre soube que descontava minhas emoções na minha alimentação, mas nunca tinha visto QUAIS eram os componentes emocionais que me pediam comida. Ao passo que eu não iria comer, as emoções se tornaram mais claras, mais evidentes. Eu podia ver quais sentimentos disfuncionais queriam emergir.

Descobri que emoções gastam muita energia.

Imagina você estar compartilhando uma casa com 15 pessoas. Muitas coisas acontecem, certo? E você precisa aprender a lidar com isso. Porém, sem comida, você precisa economizar sua energia ao máximo. Então, sempre que eu me percebia agitado, ansioso ou estressado, era o momento de tomar uma decisão consciente de não me envolver emocionalmente com o que me incomodava. Se o incomodo surgisse, ou eu lidava com ele de uma forma serena, ou eu começaria a sentir fome.

Energia é algo fundamental para uma mente sã.

Em momento algum eu senti falta de energia, porém é preciso saber otimizar como você gasta energia e como você se envolve nas situações. Temos o hábito de querer pegar problemas alheios para resolvermos, mas nesse caso era impossível. Eu não tinha disposição para me envolver no problema dos outros, pois estava otimizando energia para que meu corpo passasse por todas as experiências sem mal algum.

Existem outras fontes de energia.

Muitos diriam que seria impossível fazer qualquer esforço físico ou passariam o período de jejum todo deitado. Ledo engano. É óbvio que eu não me desgastava fisicamente, caminhando de forma lenta e serena, tirando momentos para ficar ao sol (energizando), etc. Mas, pratiquei yoga todos os dias (fazendo posturas bem intensas) e cantei todos os dias (noites de mantras). Me perguntaram como eu aguentava cantar tanto sem me alimentar… respondi que eu me energizava através do yoga e dos mantras. Eram “alimentos” da alma e do corpo. Procurei estar na grama com o pé descalço o máximo possível, colhendo a energia da natureza.

A calma da alma habita em ti.

MEDITANDO EM SERRA NEGRA – SP.

A meditação foi fundamental para esse processo de jejum. Sem meditar e sem vasculhar todos os componentes emocionais da minha alimentação desregrada, seria impossível passar por esse período de forma serena. Talvez você não saiba, mas o sistema digestivo e o cérebro são os maiores “gastadores” de energia que você tem. Quando você não ativa a digestão em sua totalidade, você está direcionando energia para o cérebro. Quando você medita, e diminui a frequência de pensamentos, você está economizando muuuuuita energia. E toda essa experiência me trouxe uma grande paz de espírito. Uma calma imensa, pois não queria gastar energia à toa. Descobri, portanto, que a calma da alma habita em nós, porém estamos convencionados a gastar nossas forças para resolver problemas que pensamos ser urgentes. Mesmo andando e fazendo tudo de forma calma e lentamente, não deixei de cumprir com minhas tarefas e necessidades. Nós é que criamos a urgência, o desespero… Assim, pude me libertar da energia dos meus sentimentos.

A transcedência.

Como sou um meditador recente, ou seja, não faz muito tempo que comecei a me dedicar à 1 hr de meditação por dia, nunca tinha alcançado níveis tão profundos de meditação. Como meu corpo não estava gastando muita energia para digerir ou pensar, eu conseguia entrar em estado meditativo apenas com o fechar dos olhos. Era quase que instantâneo. Encontrava um lugar de transcendência, e

m que a matéria já havia se tornado mais sutil e pude ter experiências que antes desconhecia.

E DEPOIS DO JEJUM?

Agora minha relação com a comida mudou completamente. Não consigo mais comer como antes… na real, quase não consigo comer. Divido minhas refeições com as pessoas. Como muito pouco e escolho melhor o que vou comer. Continuo meditando constantemente (uma hora por dia), praticando meu yoga, e tudo mais.

Parece que tudo se tornou mais claro, mais vivo e menos dependente. Não sinto necessidades emocionais que eu possuía antes. E, quando percebo que estou com vontade de comer, logo faço uma investigação de quais sentimentos ou pensamentos estão presentes naquele momento.

Foi uma profunda experiência de auto-conhecimento e amor próprio. Uma profunda experiência íntima.

Acredito que merecemos.

Meu guru espiritual falou, enquanto eu estava em jejum: “A austeridade é o ato que propicia os momentos em que temos o maior contato com quem somos… sem máscaras ou desculpas”. e

É verdade… sem comida, não havia para onde fugir! Era apenas eu e eu mesmo!

AMIGOS QUERIDOS

Não recomendo ninguém a fazer o que fiz sem estar devidamente consciente do que significa esse processo. Não se trata de emagrecer ou afinar… se trata de um encontro físico, afetivo, emocional e espiritual consigo mesmo.

Estou me preparando para as próximas jornadas: 7 dias consecutivos de jejum e depois 21 dias consecutivos de jejum… todos praticados em retiros espirituais e meditativos. Também pretendo experimentar o silêncio por alguns dias… mas isso é outra história.

Eu poderia falar muuuuuito sobre toda essa experiência… mas se você quiser saber mais, é só falar comigo!

Ps: sim, perdi 10kg no total, desde o começo da experiência (fase de adaptação + jejum de 5 dias).

 

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Márcio Merçoni
Márcio Merçoni - Graduado em Psicologia, MBA em Gestão de Pessoas e Formação em Gestão da Qualidade. Professional & Self Coach certificado internacionalmente. É ainda professor universitário, palestrante e consultor.

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