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O QUE TORNA A VIDA “MEDÍOCRE” E VOCÊ AINDA NÃO SABE…

Todo mundo tem uma vida que oscila entre momentos bons e ruins, não é mesmo?

A parte ruim é aquela em que eu sofro, onde eu me sinto mal, onde eu reclamo que minha vida precisa melhorar por que não me sinto satisfeito. Geralmente sempre estamos insatisfeitos com alguma coisa, com o trabalho, com o companheiro, com a família, com a casa, com o carro. Toda essa indignação, no entanto não me permite ficar bem e entrar em contato comigo mesmo.

Isso pode levar as pessoas a fazerem várias coisas sem sentido, só por fazer, e acabam mergulhando ainda mais em uma vida infeliz, deixando a vida ainda mais angustiada, sem perceber que esse descontentamento vem de dentro, é interno. Isso só se revela quando nos recolhemos, quando olhamos para dentro. Daí, surge a importância da meditação e do autoconhecimento, onde na prática me interiorizo, me desconecto.

Nesse momento que percebo que minha vida pode estar ruim, penso que o vislumbre da minha vida ideal e maravilhosa se dá quando algo fantástico acontece comigo. Por exemplo, quando eu conheço alguém especial, quando eu consigo trocar de carro, quando eu consigo meus 15 minutos de atenção e fama em meio às pessoas que busco reconhecimento.

Isso me faz querer que minha “vida de merda” fosse substituída por essa “vida maravilhosa” que tanto cobiço. Só que não é assim! A vida maravilhosa é uma criação do nosso ego para tentar se livrar dessa suposta “vida merda”, e com isso o que sobra é o meio… nem bom, nem ruim.

Esse meio é a vida. Eu só consigo me transformar quando aceito essa vida, quando aceito quem sou, quando aceito o que eu faço, quando aceito todas as minhas angustias e ansiedades, quando aceito o que eu penso e todos os meus defeitos, quando não tenho vergonha em ser o que eu tenho de ruim e nem o que tenho de bom.

Vivemos numa sociedade em que as pessoas estão sempre querendo ser diferente daquilo que de fato são. Existe uma teoria dentro da Gestalt-Terapia que se chama “TPM” Teoria Paradoxal da Mudança, que afirma que mudar é se tornar quem se é de verdade. Você transforma sua vida quando se transforma em quem você é genuinamente. Assim, paramos de cumprir um papel que não é nosso só para transbordar para as outras pessoas.

Eu preciso ser uma pessoa exemplar, preciso ser um chefe exemplar, preciso criar um ambiente de trabalho agradável, preciso ser empático, preciso ser o empresário do ano. Imagina que eu preciso ter conquistas só por que eu convivo em um meio de empresários que só possuem conquistas. Pensa só, quem sou eu naquele ambiente, se não conquistei nada? Se eu não troquei de carro, se eu não viajei para lugar x, y ou z?

-> Opa, mas péra ai, por que eu estou aqui me comparando?

-> Por que eu estou comparando minha posição?

> Isso por que estamos sempre fantasiando uma imagem que precisamos passar… <

Já diria Sartre, “o inferno são os outros”, e então por que eu me ocupo com isso?!

Mas ok, deixar de assumir alguns papéis não me faz menos! O que me faz menos é me comparar…  Uma vez ou outra, eu mesmo ainda me coloco nesse papel de comparação, daí vem o sofrimento, e com isso surge a ansiedade, e começo a perder a conexão comigo mesmo. E é aí que gente se perde e se perde feio.  

A realização nisso está quando se encontra uma unidade em tudo isso, quando se consegue ser o mesmo em quase todos os ambientes que está presente, quando se percebe o que realmente te deixa feliz, o que realmente te mobiliza nessa vida, o que realmente te deixa tranqüilo e em paz, sem ceder às pressões externas. Isso só é possível acontecer quando você se aceita. Para se aceitar é necessário se interiorizar e se investigar, se descobrir e meditar.

É necessário que cada um descubra como prefere gerir a própria vida, e pare de se comprar com os outros ou com os modelos prontos, que nem se sempre funcionam. Por exemplo, se eu trabalhar somente seis horas por dia, não vai fazer diferença de trabalhar 12 horas. Se eu trabalho tempo a mais do que eu me sinto produtivo, eu trabalho de forma medíocre, eu não consigo concentrar minha atenção por muito tempo. Preciso passar uma hora meditando ou mais todos os dias, preciso fazer yoga, preciso ter meu momento de tomar chimarrão de manhã. Se nada dessas coisas acontecem, serei uma pessoa medíocre para mim mesmo, por que não respeitei minhas vontades e necessidades.

Às vezes nos perdemos e perdemos nossas conexões mais profundas, devido aos papéis sociais que precisamos assumir ou representar. O papel de marido/esposa que sustenta a casa e trabalha em excesso para isso, pode ser algo importante ou não. Em que momento você foi realmente exigido para cumprir esse papel? Alguém te deu e você aceitou? Você mesmo criou e se colocou nessa posição?

 

Essa é uma reflexão importante, pois ninguém assume papel algum sem que haja uma vantagem nele. Ainda que você só veja desvantagens em algum papel que você assumiu na vida, você o assumiu pois havia um ganho no fundo. A grande questão é: este ganho é suficientemente relevante para você continuar passando por cima de suas necessidades mais íntimas? Ninguém está te obrigando a nada. Portanto, não podemos nos considerar vítimas destas circunstâncias. Se você ainda não assumiu o lugar de criador da sua própria forma de viver, é porque é muito cômodo deixar nas mãos dos outros e depois reclamar ou culpabilizar.

 

Seu principal papel na vida deve ser criar harmonia entre as suas necessidades e o mundo. Não há necessidade de conflito. À medida que você descobre que você é o canal de criação da sua realidade, você percebe que há muito mais espaço no mundo para você, do que você imaginava. Assim, eu não preciso me tornar uma pessoa controladora, ou então me 

reconhecer como uma pessoa perdida. Posso deixar fluir minhas necessidades e ações necessárias para atender aquilo que preciso em cada momento. Isso te aproxima do que é essencial, pois como já diria Antoine de Saint-Exupéry, no seu clássico O Pequeno Príncipe, “O essencial é invisível aos olhos”.

Cada um tem sua essência, cada um tem uma verdade interior dentro de si. Todo mundo já teve momentos de se conectar com um silêncio interior, sem estar preocupado com nada, por que nada é mais importante naquele momento que a paz interior. Momentos assim deveriam ser levados para vida toda. Esse silêncio interior só se alcança buscando autoconhecimento pra descobrir quem se é de verdade. Só é possível buscar esse silêncio quando se está disposto a descobrir a sua verdade. Se estou disposto a viver quem realmente sou, preciso me permitir fugir dessas máscaras e desses diversos papéis para perceber minha real autenticidade.

Pense nisso! Quem é esse “você” que você vai se permitir viver hoje?

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Márcio Merçoni
Márcio Merçoni - Graduado em Psicologia, MBA em Gestão de Pessoas e Formação em Gestão da Qualidade. Professional & Self Coach certificado internacionalmente. É ainda professor universitário, palestrante e consultor.

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